Maquininhas Cartões

Comprar ou alugar maquininha de cartão: qual sai mais barato?

Por · 8 de setembro de 2026 · Taxas e Contratação

A decisão entre comprar ou alugar a maquininha define se você vai queimar caixa com custo fixo todo mês ou perder margem em taxas pesadas sobre cada venda. Para quem fatura até R$ 15.000 por mês, comprar o aparelho sai muito mais barato no fim do ano.

Anúncios

Principais conclusões

Já o aluguel ou comodato só começa a fazer sentido a partir de R$ 30.000 a R$ 50.000 mensais: nessa faixa, o desconto negociado nas taxas transacionais cobre a mensalidade com sobra. Uma ressalva direta: este comparativo analisa apenas lojas físicas e serviços presenciais, sem entrar em e-commerce ou gateways de pagamento online.

Compra, aluguel ou comodato: o que você realmente paga em cada modelo

Quando você compra o terminal, o aparelho vira patrimônio do seu negócio após pagar o valor de aquisição. No aluguel, paga-se pelo uso temporário mês a mês. O comodato, por sua vez, empresta a máquina a custo zero aparente, mas exige bater metas rígidas de vendas. Cada um desses formatos joga o risco financeiro para um lado da mesa: de um lado o comerciante, do outro a adquirente.

Compra definitiva do equipamento

No modelo de compra, popularizado por empresas como PagBank, Ton e Mercado Pago, você paga pelo leitor à vista ou no cartão parcelado. Se a máquina ficar parada na gaveta durante o mês todo, o custo é zero: não existe cobrança de mensalidade. O calcanhar de aquiles está no pós-venda. Terminado o prazo de garantia da fábrica (que costuma durar entre 1 e 5 anos, dependendo da marca), qualquer conserto de visor trincado ou troca de bateria viciada sai direto do seu bolso.

Aluguel tradicional e prestação de serviços

A locação clássica de operadoras tradicionais como Cielo, Rede e Getnet cobra uma fatura mensal contínua, geralmente entre R$ 60,00 e R$ 150,00 por terminal. Essa mensalidade banca mais do que o aparelho físico: inclui visita técnica rápida no balcão, reposição regular de bobinas de papel e troca ilimitada da máquina em caso de defeito. Por outro lado, o lojista nunca vira dono do equipamento e precisa devolvê-lo intacto quando encerrar o contrato.

Comodato atrelado a metas de faturamento

Já o comodato funciona como um empréstimo condicionado a metas de faturamento, expediente comum na Stone e em concorrentes do mesmo porte. A maquininha chega sem custo de adesão, mas a gratuidade do mês depende de transacionar um valor mínimo combinado, normalmente entre R$ 10.000 e R$ 30.000. Se as vendas caírem e o caixa não bater o teto estipulado, a adquirente desconta o aluguel cheio do período direto dos seus recebíveis futuros, sem aviso prévio. Para ver o outro lado dessa conta, com as situações em que a locação realmente se paga, vale ler a análise do CashReasons sobre aluguel de maquininha de cartão.

Fintechs sem mensalidade contra credenciadoras tradicionais

Empresas focadas em vender máquinas sem mensalidade miram o pequeno comerciante e o autônomo, trabalhando com taxas tabeladas e suporte remoto. Em contrapartida, as credenciadoras tradicionais de aluguel preferem contas de médio e grande porte, oferecendo atendimento presencial com gerente exclusivo e taxas negociadas caso a caso.

Critério de avaliaçãoFintechs (Venda definitiva)Credenciadoras tradicionais (Aluguel e Comodato)
Modelo predominanteVenda direta do terminal via taxa de adesão únicaLocação mensal com programa de isenção por metas
Principais empresas ativasTon, PagBank, Mercado PagoCielo, Stone, Rede, Getnet
Custo fixo mensal recorrenteR$ 0,00 (aparelho pode ficar inativo sem custos)R$ 69,90 a R$ 179,90 por POS ativo (salvo isenção)
Suporte e substituição de aparelhoEnvio reverso por Correios (troca em 3 a 7 dias úteis)Atendimento presencial de técnicos em 24 a 48 horas
Perfil de faturamento recomendadoAté R$ 20.000 mensais ou negócios sazonaisAcima de R$ 30.000 mensais com múltiplos caixas

Economizar na compra do aparelho parece tentador no início, mas pode virar dor de cabeça se o negócio travar no meio de um pico de vendas de fim de ano. Se a máquina pifar e você tiver de esperar dias úteis até os Correios entregarem um leitor novo, o prejuízo das vendas perdidas no balcão engole qualquer vantagem inicial.

Custo total de propriedade em 12 meses: os 5 gastos que pesam na conta

Calcular o custo real de uma maquininha vai muito além de olhar o preço do panfleto ou o valor da mensalidade anunciada na internet. Quem faz contas levando em consideração apenas o valor de entrada costuma levar um susto ao somar taxas de intermediação, antecipações e pequenos descontos ocultos no fechamento do primeiro ano.

Simulação prática: qual modelo vence com R$ 5 mil, R$ 20 mil e R$ 50 mil por mês

O ponto de equilíbrio é pura matemática: a conta se paga quando o valor economizado com taxas transacionais menores cobre exatamente o aluguel fixo cobrado no mês. Se a diferença de taxa poupar R$ 120,00 e o aluguel custar R$ 100,00, a locação já colocou vinte reais a mais no seu bolso.

  1. Faturamento de R$ 5.000 por mês: com volume dividido entre débito e crédito, uma maquininha comprada com MDR médio ponderado de 3,2% consome R$ 160,00 em taxas, totalizando R$ 160,00 de custo operacional mensal. Uma credenciadora alugada cobrando taxa menor de 2,0% consumiria R$ 100,00 em tarifas, mas somaria R$ 89,90 de aluguel, elevando a despesa para R$ 189,90. A compra economiza R$ 29,90 por mês e elimina o perigo de a mensalidade consumir 1,8% do faturamento bruto em meses parados.
  2. Faturamento de R$ 20.000 por mês: nesta faixa intermediária, a máquina própria com MDR de 3,0% retém R$ 600,00 em taxas. Na máquina alugada com MDR reduzido de 2,0%, a taxa consome R$ 400,00, que somados à mensalidade de R$ 89,90 chegam a R$ 489,90 mensais. Aqui o modelo tradicional começa a vencer por uma diferença de R$ 110,10 ao mês, desde que o empresário não atrase pagamentos nem caia em planos automáticos de antecipação forçada de recebíveis.
  3. Faturamento de R$ 50.000 por mês: em operações robustas, as operadoras tradicionais como Rede ou Cielo reduzem o MDR médio para patamares próximos a 1,7% ou concedem isenção total de aluguel por atingimento de meta. Com isso, o gasto total na locação isenta fica em R$ 850,00 mensais. Manter esse mesmo faturamento em uma máquina própria de entrada com taxa média de 3,0% geraria R$ 1.500,00 em retenções, provocando um prejuízo de R$ 650,00 mensais contra o modelo de aluguel corporativo.

Quando comprar a maquininha é a decisão certa

Comprar o leitor é o caminho mais prudente para quem está dando os primeiros passos, para autônomos ou para comércios com faturamento instável. Em meses fracos, você não fica refém de boleto vencendo na conta.

Sazonalidade e proteção do capital de giro

Quiosques de praia, buffets para eventos e feiras de artesanato vivem de picos sazonais seguidos por períodos de calmaria absoluta. Com uma máquina comprada, você encerra a temporada, guarda o equipamento no armário e passa meses sem pagar um centavo sequer de mensalidade. O caixa respira e você elimina o risco de acumular dívidas fixas na entressafra.

Autonomia para microempreendedores individuais e prestadores de serviço

Para eletricistas, manicures, consultores ou feirantes que trabalham na rua, a mobilidade fala mais alto. Modelos de bolso com chip próprio de operadoras como PagBank e Mercado Pago resolvem a cobrança sem exigir comprovante de renda nem faturamento mínimo. O aparelho chega pelo correio, ativa direto no aplicativo usando CPF ou CNPJ e em poucos minutos já está pronto para passar o primeiro cartão.

Eliminação de fidelidade e flexibilidade operacional

Ser dono da própria máquina livra o comerciante das amarras de fidelidade de 12 ou 24 meses. Se uma concorrente lançar taxas mais agressivas no Pix ou no parcelamento, você simplesmente troca de solução sem pagar multa rescisória nem enfrentar burocracia de cancelamento. A máquina é sua, e a decisão de onde rodar o dinheiro continua nas suas mãos.

Quando o aluguel ou comodato se torna mais vantajoso

Em contrapartida, alugar ou fechar comodato é a melhor saída para empresas estruturadas, com faturamento regular, vários caixas operando juntos e dependência total de suporte técnico imediato.

Alavancagem de volume para isenção e taxas personalizadas

Supermercados, drogarias e restaurantes movimentados passam centenas de milhares de reais todo mês no balcão. Com esse volume na mão, o lojista negocia taxas de MDR diretamente com o gerente da Cielo, Stone ou Getnet em patamares bem inferiores aos das tabelas padrão. Sob as regras de concorrência dos arranjos de pagamento do Banco Central do Brasil, o lojista atinge as metas de giro com facilidade e zera o aluguel das máquinas como bonificação comercial.

Atendimento técnico presencial e contingência imediata

Fila crescendo e caixa travado num sábado à tarde é prejuízo na certa. Por isso, os planos corporativos de aluguel costumam prever prazos rígidos de socorro técnico (SLA): se o teclado travar, o leitor por aproximação falhar ou a bateria pifar, um técnico troca o POS na sua loja em poucas horas. Quem roda varejo pesado simplesmente não pode esperar uma semana pelo envio de uma maquininha própria pelos Correios.

Integração com automação comercial e sistemas TEF

Quem trabalha com sistema de gestão integrado depende do TEF (Transferência Eletrônica de Fundos) ligado direto ao ponto de venda. Os contratos de aluguel e comodato resolvem isso entregando pinpads homologados para dialogar com o ERP. O operador não precisa digitar o valor da venda na mão, o que zera o erro de troco ou digitação no caixa e fecha a conciliação financeira do dia com rapidez.

Checklist de contrato: armadilhas de fidelidade, devolução e reajustes

Examine com lupa as cláusulas do credenciamento e da locação do POS antes de fechar negócio. São cobranças pontuais e letras miúdas bem específicas que costumam inflacionar a fatura mensal de quem assina sem checar os detalhes.

Puxe o extrato de vendas dos últimos noventa dias para tomar a decisão com base em dados. Se a média no cartão ficar abaixo de R$ 20.000 por mês, compre o seu terminal próprio para cortar mensalidades e manter o custo fixo zerado.

Já se a sua empresa ultrapassa com folga os R$ 35.000 mensais e depende de atendimento rápido na fila, vá para a locação ou comodato em uma credenciadora grande, exigindo em contrato a isenção do aluguel por meta e a visita técnica presencial rápida.

Perguntas frequentes

Se eu comprar a maquininha e ela quebrar após a garantia, o que acontece?

O conserto ou a reposição ficam sob sua responsabilidade financeira. Se o prazo da fábrica expirar (que dura de um a cinco anos conforme o fabricante), você arca com a assistência técnica ou compra outro leitor. Diferente do aluguel, que envia técnico ao balcão, nas maquininhas próprias a troca exige envio pelos Correios e pode levar dias úteis.

Posso revender uma maquininha comprada se eu fechar o meu negócio?

Sim, a transferência de titularidade costuma ser permitida diretamente no painel ou aplicativo da credenciadora, liberando o equipamento para outro CPF ou CNPJ. Já no comodato ou aluguel, a venda é proibida por se tratar de empréstimo ou locação, gerando processo por apropriação indébita e cobrança de indenização pelo terminal não devolvido.

A máquina em comodato pode ser bloqueada se eu não bater a meta de vendas?

Não costuma haver bloqueio imediato das vendas, mas a credenciadora passa a descontar o valor integral do aluguel direto dos seus recebíveis futuros no fechamento do mês. Além disso, a inatividade prolongada por trinta a sessenta dias pode ativar taxas de ociosidade em contrato ou levar à exigência de devolução do equipamento.

A troca de bobina e a manutenção de chip têm cobrança extra no modelo comprado?

O tráfego de dados no chip e as atualizações continuam gratuitos, mas a reposição física das bobinas térmicas costuma ter limites ou exigir compra avulsa por conta do lojista. Nos planos corporativos de aluguel ou comodato, o fornecimento contínuo de bobinas e os chips redundantes de múltiplas operadoras já estão inclusos no serviço contratado.

João Batista

João Batista

Editor do Maquininhas Cartões / Consultor de meios de pagamento

João Batista assina o Maquininhas Cartões e responde pela apuração das taxas e pela conferência final de cada número publicado. Passou doze anos atendendo o balcão do varejo antes de virar consultor de meios de pagamento para pequenos negócios, tempo suficiente para aprender que a taxa anunciada na propaganda raramente é a taxa que chega no extrato. Hoje refaz essa conta profissionalmente: levanta as condições publicadas pelas credenciadoras, simula o custo efetivo sobre um mix real de débito, crédito à vista e parcelado, e escreve o resultado para quem precisa decidir entre uma maquininha e outra sem perder a margem no caminho. Nenhuma taxa vai ao ar aqui sem checagem na fonte oficial da empresa ou nos dados públicos do Banco Central e da ABECS.